Maçonaria no Brasil
O
ano de 1800 marcou o início comprovado da Maçonaria no Brasil,
quando cinco maçons dispersos instalaram a primeira Loja, no Rio de
Janeiro, com o título, primeiramente, de União
e, depois, com a incorporação de outros obreiros, com o de Reunião.
Essa
Loja filiou-se, inicialmente, ao Or.: da Ilha de França (Ille de
France, então francesa; hoje, Ilha Maurício, sob bandeira inglesa)
e, posteriormente, ao Grande Oriente Lusitano, fundado em 1804.
Embora haja especulação sobre a existência de uma Loja anterior,
a Cavaleiros da Luz,
que teria sido criada na povoação da Barra, em Salvador, em 1797,
a verdade é que nada há que comprove tal existência.
A partir de 1809 foram fundadas várias lojas no
Rio de Janeiro e Pernambuco e em 1813 foi criado o primeiro Grande
Oriente Brasileiro sob a direção de Antonio Carlos Ribeiro de
Andrada e Silva.
A lusofobia tão presente nos movimentos de emancipação, também
caracterizava a maçonaria brasileira, que desde seus primórdios
não aceitava se submeter ao Grande Oriente de Lisboa.
Como em toda América Latina, no Brasil a maçonaria também se
constituiu num importante veículo de divulgação dos ideais de
independência, sendo que em maio de 1822 se instalou no Rio de
Janeiro o Grande Oriente Brasiliano ou Grande Oriente do Brasil, que
nomeou José Bonifácio de Andrada e Silva o primeiro grão-mestre
da maçonaria do país.
Com D. Pedro I no poder, o Grande Oriente do Brasil foi fechado,
ressurgindo apenas com a abdicação do imperador em 1831, tendo
novamente José Bonifácio como grão-mestre. Nesse mesmo ano ocorre
a primeira cisão na maçonaria brasileira, quando o senador
Vergueiro funda o Grande Oriente Brasileiro do Passeio, nome
referente à rua do Passeio, no Rio de Janeiro.
A divisão enfraqueceu a maçonaria, que começou a perder
influência no quadro político do Império brasileiro. Essa
situação agravou-se em 1864, quando o papa Pio XI, através da
bula Syllabus, proibiu qualquer ligação da Igreja com essa
sociedade.
No contexto de crise do Império brasileiro, esse quadro tornou-se
mais crítico em 1872, quando durante uma festa em comemoração à
lei do Ventre-Livre, o padre Almeida Martins negou-se a abandonar a
maçonaria, sendo suspenso de sua atividade religiosa pelo bispo do
Rio de Janeiro. Essa punição tinha sido antecedida por um discurso
feito pelo padre Almeida Martins na loja maçônica Grande Oriente,
no qual o religioso exaltou a figura do visconde do Rio Branco, que,
além de primeiro-ministro, era grão-mestre da maçonaria.
Neste processo, o bispo de Olinda, D. Vital e o de Belém, D. Macedo
determinam o fechamento de todas irmandades que não quiseram
excluir seus associados maçons. A reação do governo foi rápida e
enérgica, quando em 1874, o primeiro-ministro, visconde do Rio
Branco, determinou a prisão dos bispos seguida de condenação a
quatro anos de reclusão com trabalhos forçados. Apesar da anistia
concedida no ano seguinte pelo novo primeiro-ministro duque de
Caxias, a ferida não foi cicatrizada e o Império decadente junto
com a maçonaria que o sustentava, perdiam o apoio do clero e da
população, constituindo-se num importante fator para queda do
obsoleto regime monárquico e para separação do mesmo com a
Igreja.
No período republicano a maçonaria conseguiu crescer e
diversificar suas atividades pelo país, apesar de ter perdido o
poder de influência no Estado brasileiro. Nesse final de século, a
maçonaria permanece como uma associação, que apesar de defender
os princípios de fraternidade e filantropia, exclui, mesmo que de
forma não assumida, a participação das camadas sociais menos
abastadas entre seus membros.
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