Maçonaria no Mundo - O fim e o
começo
Os últimos Templários
Aconteceu na Idade Média, quando a Igreja era soberana absoluta, e
seus líderes da época praticavam o terror em nome da fé, cobrando
indulgências, e impostos altíssimos, eliminando nas fogueiras
todos os oponentes. Esta é uma homenagem aos bravos Maçons que
morreram lutando pela Liberdade Igualdade e Fraternidade.
No Convento de Mont-Serrat na Espanha, se tinham refugiado os
últimos Templários, ordem militar e religiosa fundada para
defender o Santo Sepulcro, e que fora destruída por Felipe o Belo,
Rei de França, com o fim de se apropriar das suas imensas riquezas.
Felipe o Belo tivera por cúmplice naquele sanguinolento roubo o
Papa Clemente VI, um francês que ele fizera eleger Papa para que o
auxiliasse naquele saque; e o pontífice, para com mais segurança
ferir os infelizes Templários, e os punir pela maior de suas culpas
– qual era a de serem riquíssimos – acusara aqueles Cristãos
de heresia.
Os Templários foram saqueados, presos, assassinados, e o seu
Grão-Mestre, Jacques de Molay, foi queimado vivo; mas antes de
morrer, o infeliz levantou para os céu as mãos inocentes, e
suplicou a Deus Jeová que no período de um ano e um dia chamasse
ao seu tribunal, para julgamento eterno, o Papa e o rei.
O Onipotente ouviu aquela prece, e no prazo fixado os dois
cúmplices morreram. A morte de Felipe ocorreu em tais
circunstâncias, que o povo julgou ser nela o sinal evidentíssimo
da cólera de Deus.
O Papa morreu também no mesmo ano, e todos viram naquela dupla
morte o castigo que haviam merecido os dois criminosos.
A morte de Jacques de Molay e dos seus companheiros seguiu-se uma
perseguição geral contra os Templários, muitos dos quais se
refugiaram nos países de que eram naturais, principalmente nas
províncias italianas e espanholas.
Alguns destes acharam refúgio entre os monges da Abadia de
Mont-Serrat, já eivados, segundo se dizia, nas mesmas heresias e
tanto o Papa, como os Bispos de Cartela e da Catalunha, estavam
irritadíssimos contra aqueles frades, e muitas vezes tinham tentado
suprimi-los.
Mas os monges, já poderosos pela riqueza e pelos domínios, eram
poderosíssimos pela popularidade de que gozavam. Naqueles rochedos
da Catalunha, país clássico das revoluções, ninguém se atrevia
a invadir um mosteiro, que ao primeiro sinal se veria rodeado de
milhares de "micheletti" armas infalíveis. Por tal modo
que, por vontade ou por força, a cúpula da Igreja deixariam
tranqüilos os frades (Irmãos) de Mont-Serrat.
Os templários eram homens de várias idades e fisionomias diversas,
usavam capuzes e túnicas pretas (balandrau), que cobriam as
reluzentes armaduras completas de aço dos cavaleiros da Idade
Média. Na couraça de cada Obreiro brilhava a Cruz de Ouro,
distintivo da Ordem do Templo.
Eram aqueles, os restos da poderosa associação, que fizera tremer
a Europa, e que, na opinião do vulgo, fora destruída havia dois
séculos. Na verdade, com aquela força invencível, que provem do
segredo e das riquezas, os Templários se tinham perpetuado
obscuramente através dos séculos, vencendo perigos inauditos,
conservando e guardando o segredo em meio dos tormentos, com os
olhos sempre postos num futuro, que, por muito distante, teria feito
desanimar qualquer outro, mas que não conseguia desanimar aqueles
homens de ferro.
Nasceu a Nova Maçonaria
Naquele mosteiro ressoaram então os nomes mais ilustres da Europa,
já pela nobreza de sangue (Condes, Príncipes, Marqueses, Duques,
etc.), já pelo alto valor nas artes, nas ciências, nas armas e no
governo. Estava reunido alí um senado capaz de reger o mundo
inteiro sem custo algum!
"A assembléia constituída por nobres, cavaleiros, padres,
vassalos e plebeus, para libertar a humanidade das cadeias dos
padres e dos soberanos, compunha-se de três classes.
"A primeira compreendia os que se associava a aquela Obra com
pureza de coração, e tinham intenção de se instruir nos
mistérios da Ordem. Estes tinham que estudar durante três anos os
meios de se realizar o fim externo da associação, e dividiam-se em
dois ramos – Aprendizes e Mestres.
"A Segunda compreendia os Irmãos que do estado de ensino
tiveram chegado ao estado de operar. Estes tinham a seu cargo
executar no mundo dos profanos o que tinha sido deliberado ou
resolvido pelo Supremo Conselho; tinham sob as suas ordens os
Aprendizes e Mestres, eram iniciados nos segundos mistérios da
Ordem, que dizem ao fim político e às reformas a obter.
"A terceira classe, finalmente compunha-se de um número
limitadíssimo de pessoas, que eram iniciadas nos terceiros
mistérios. Estes iniciados supremos conheciam as forças da ordem,
o seu fim principal, os tesouros de que podiam dispor; conjuntamente
com o Grão-Mestre governavam os associados.
"Nenhum poderia ser promovido à classe superior sem ter
completado pelo menos três anos na classe inferior. O Grão-Mestre
era eleito entre os dignitários da classe Suprema.
"A Ordem, aliada a todos os apóstolos da razão, tinha como
objetivo sustentar uma luta de morte contra a Igreja e os tiranos, e
não consideraria cumprido o seu fim senão quando a liberdade do
homem e da cons ciência fossem absolutamente reconhecidas".
Em assembléia eles decidiram mudar o nome da Ordem, pois o sagrado
nome do Templo, soaria mal aos ouvido de um povo, que ouvia as
calúnias que os inimigos do Templo espalharam contra eles.
Disse então o Marquês senhor de Beaumanoir: "O antigo Templo
desmoronou-se, mas nós trabalharemos para edificar outro, e sem
dúvida o haveremos de conseguir. A obra, que empreendemos, é uma
obra de reedificação: somos os pedreiros da humanidade. Temos,
pois, deliberado chamar-nos Pedreiros Livres.
Porém Inácio de Loiola queria fundar a terrível Companhia de
Jesus. "Perinde ac cadáver"- como um cadáver – tal é
a forma de obediência imposta aos Jesuítas, disse: "tenho
notado o tumulto de idéias e o espírito de rebelião, que agitam a
Europa, e especialmente a Alemanha e a Itália, e vim aqui
precisamente para vos dizer que este espírito de rebelião devemos
nós abatê-lo, em vez de o favorecer! A Ordem dos Templários, -
exclamou Loiola deve transformar-se, não na associação dos
Pedreiros Livres, mas na Companhia de Jesus!. Unir-nos-emos em volta
do sólio pontifício, como os pretorianos do antigo império e
defenderemos, alargaremos o poder do papa, que depois será o nosso
poder, porque o chefe da Igreja será, sem dar por isso, o nosso
prisioneiro...
"Ensinaremos aos povos que eles devem obedecer com submissão e
medo aos seus soberanos, e prestaremos aos reis esse apoio,
obrigando-os a governar segundo a vontade e os fins da nossa
companhia. Por meio dos colégios dominaremos a mocidade, por meio
dos confessionários dominaremos as consciências; os penitentes
aterrados pelo rigor fanático dos Dominicanos e dos Franciscanos,
ocorrerão ao nosso tribunal de penitência, onde a moral será
suave, o perdão fácil, e o juiz indulgente...Irmãos escutai-me:
por este modo, se consentirdes em transformar a nossa Ordem no
sentido que vos peço, dentro de vinte anos – Não é preciso
mais, – nós seremos os senhores do mundo!
- Irmãos, - bradou Francesco Burlamacchi – acabais de ouvir a
proposta que vos foi feita pelo padre Inácio de Loiola: A
escravidão da humanidade; nós convertidos em guardas desses
escravos, e todos de joelho diante de um chefe supremo, de um chefe
misterioso, que do fundo de uma cela monacal, imporia as suas
vontades. E é para isso que a Ordem há de levantar-se? E é para
isso que nós havemos de vencer os potentados da terra? E foi para
isto que destruímos nos nossos espíritos as superstições e a
ignorância? Só nós, de toda a infinita multidão dos nossos
Irmãos espalhados pelo mundo, é que fomos iniciados nos Terceiros
Mistérios, só nós é que conhecemos a verdade de tudo isso, que o
mundo adora e teme; graças à ciência que adquirimos, graças às
misteriosas tradições, confiados à guarda dos sete senhores,
graças aos imensos tesouros que possuímos, somos os únicos dentre
os nossos Irmãos, os únicos dentre os mortais, que não estamos
sujeitos a nenhuma lei, a não ser à de Deus.
Levantemo-nos, sim mas para despedaçar os nossos grilhões, e os de
todo o mundo! Temos em nossas mãos uma força incalculável;
aproveitemo-la e façamos uso dela contra os tiranos de toda a
espécie. Os povos nos darão por tal serviço bem melhor recompensa
do que o sombrio silêncio e a tenebrosa humildade do túmulo! Nós
constituiremos na Europa a grande e verdadeira aristocracia – a do
bem-fazer. As cidades liberais e as nações ressuscitadas hão de
eleger os seus regentes; nós reinaremos, não com as forças
efêmeras do embrutecimento e da ignorância, mas com as do
reconhecimento e do afeto.
"Irmãos! Em nome da fé que depositaste em nós, elegendo-nos
para este supremo cargo, convido-vos a rejeitar as propostas de
Inácio de Loiola, e a proclamar aqui, nesta nossa santa
assembléia, que a Ordem do Templo se transforma na sociedade
secreta dos Pedreiros Livres!
- Viva a MAÇONARIA! – gritou o príncipe de Condé, saldando com
este nome francês, tradução da denominação proposta por
Burlamacchi, a origem de uma sociedade, que depois havia de Ter
tanta influência sobre os destinos do mundo.
- Então disse Inácio de Loiola: estas decisões não me dizem
respeito.. fui Irmão da Ordem do Templo, e observei fielmente os
seus estatutos: agora, que o Templo acabou, retiro-me da
instituição que lhe sucede, e em face da Maçonaria, que acabais
de proclamar, declaro instituída a Companhia de Jesus!
Este nome, mais tarde se tornaria terrível, pois a tal Companhia de
Jesus sob a acusação de heresia! A única contra qual não era
garantia nem a nobreza de nascimento, nem a autoridade da posição
ou das armas, nem o valor militar, esquartejaria, queimaria em suas
inúmeras fogueiras da Santa Inquisição os que se opunham a ela,
os hereges.
A simbologia da maçonaria é composta por elementos de uma
linguagem coerente e complexa. Apesar de não possuir definição
político-partidária ou religiosa, a maçonaria sempre atuou no
campo político-ideológico.
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